Neymar e a liberdade religiosa A controvérsia e a bem-aventurança.

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A controvérsia e a bem-aventurança.


Após Neymar usar uma faixa escrito “100% Jesus” na testa, Juca Kfouri e Marcelo Rubens Paiva publicaram comentários em seus respectivos blogs. Reproduzo-os a seguir comentando cada um deles.
Na Copa do Mundo, ano passado, o genial brasileiro vendeu cuecas e depois negou. Agora, na Liga dos Campeões, pôs Jesus no jogo desnecessariamente, como já havia feito antes, sempre esquecido de que os derrotados também podem tê-lo em seus corações. Seria tão melhor se certas intimidades fossem como deveriam ser, isto é, apenas íntimas. Até porque, convenhamos, precisar Neymar não precisa. (Juca 

Caro Juca,
Gosto de você. Quanto ao seu comentário, no entanto, quem tem que ir "menos" é você. Menos, Juca, menos. Menos desrespeito à liberdade religiosa. Menos preconceito religioso, Juca, menos.

Anoto que não acho boa a ideia de pressupor que o gesto da testeira seja igual ao da cueca. Pode até ser que um dia aparece uma marca “100% Jesus” à venda, mas não me parece que tenha sido um movimento comercial. Você está julgando mal o rapaz, é o que acho.

Você disse que ele citou Jesus “desnecessariamente”. Quem lhe colocou na posição de censor da religiosidade do Neymar? Ainda que celebridade, Neymar tem o direito a ter e a expressar sua fé. Aliás, toda pessoa tem o direito de professar sua fé na forma como julgar adequada. Isso está em todas as declarações de Direitos Humanos e na nossa Constituição Federal.

O fato de você, ou qualquer outra pessoa, não querer expressar sua fé não significa que seu modo de ver as coisas seja o correto. Você considera isso uma “intimidade”, mas quem disse que o Neymar ou qualquer outro tem que considerar sua fé algo “íntimo”? A fé também tem foro íntimo, mas não tem que ficar limitada a esse plano. Se pesquisar um pouco a Bíblia verá que faz parte da religiosidade cristã assumir a fé. Querer levar a fé para o íntimo, circunscrita a espaços privados é um postulado materialista que não tem base legal, constitucional etc. Não aceitamos essa ideia de guetos. Não aceitamos a ideia de degredar nossa fé em Jesus. Isso é Jesusfobia.

Voltemos ao que pensam os cristãos. Jesus disse: “Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus” (Mateus 10:32,33). Então, confessar Jesus como fez Neymar, é algo típico da fé cristã.
Jesus também diz para sermos brilhantes e darmos a Deus toda a glória por isso. Isso foi o que Neymar fez. Brilhante, você mesmo disse que ele foi. Jesus disse: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5:16).
Juca, você também criticou Neymar dizendo que ele estaria “esquecido de que os derrotados também podem tê-lo em seus corações”. Ora, desde quando o vencedor agradecer a Jesus significa que os derrotados não têm ou não poderiam ter Jesus? Cito aqui outro cristão que honra a Jesus: o zagueiro David Luiz. Quando ele fez aquele belo gol na Copa, disse que dava toda a glória a Jesus. Direito dele fazer isso. Ou você dirá também... Menos, David Luiz, menos? Cito o caso, pois quando levamos o 7 x 1 da Alemanha o mesmo David Luiz teve em Jesus consolo e companhia em um momento difícil. É assim, Juca: Jesus está conosco em todos os momentos.

As únicas coisas certas que você falou nessa matéria foram, uma, que Neymar é brilhante e, outra, que, “convenhamos, precisar Neymar não precisa”. Realmente não precisa. Ele poderia ficar calado e atender aos reclamos de uma sociedade que persegue a fé e critica toda manifestação religiosa. Ele poderia ficar calado, sim, mas agiu como cristão. Ele assim fez porque quis, porque é um direito dele, porque quis honrar a Jesus.
Jesus, a quem cito novamente, antecipou a notícia da sua crítica ao Neymar. Sim, Juca, Jesus profetizou que você iria criticar Neymar. Está no Sermão do Monte, em Mateus 5:11 e 12: “Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”. Então, só posso dizer uma coisa: Bem-aventurado, brilhante Neymar, Bem-aventurado!

Outra coisa comum nos cristãos, eu faço agora, que é um convite: Juca, se você deixar Jesus entrar no seu coração vai ser muito bom. Ele traz descanso para nossas almas, ele é manso e humilde de coração, o seu jugo é suave e o seu fardo é leve (Mateus 11:28,30).

Deve ser idolatrado por crianças palestinas, africanas, asiáticas, árabes, eslavas, por ortodoxas, judias, muçulmanas, budistas, agnósticas (32,2% da China), xintoísta, hinduístas (mais de 1 bilhão).

Mas decidiu homenagear apenas um grupo religioso, na sua grande conquista (o único jogador do time com uma faixa no cabelo): 100% JESUS.
Neymar foi o assunto mais comentado do Twitter no final da tarde de ontem. Muitos não entenderam a faixa. Foi um dos nomes do jogo, com uma assistência genial, uma arrancada e um gol no final. Com Messi baleado, infernizou a defesa adversária, roubou bolas, teve um gol anulado, cavou faltas. Era sábado, final da Champions, o jogo de clubes mais esperado do ano. Barça contra Juve, dois times 5 vezes campeão. A escola espanhola contra a italiana.

Graças a NEYMAR, deu Barça, o time que “é mais que um clube” (seu slogan). O jogo teve quase 1 bilhão de espectadores no mundo todo. Barça talvez seja o time mais popular. Neymar, um dos 3 grandes ídolos internacionais, com Messi e Cristiano Ronaldo, empatados na artilharia da Champions.
Fãs que acompanham o jogador há anos logo lembraram que, em outras finais importantes da carreira, ele comemorou com a mesma faixa. Perguntei no Twitter, por quê?
Muitos disseram que ele é livre para manifestar sua fé. E é mesmo. Apesar do time que até 2013 se vangloriava de não ser patrocinado por nenhuma empresa, ser agora patrocinado pela Qatar Airways, do país Catar (Qatar), em que 80% são muçulmanos, seguidores do Islã.
“100% mico”, tuitaram alguns.
@mendesoswaldo tuitou: “100% Jesus é para o Santos não cobrar sua (dele) parte?”
@bel_fernanda: “Para dar um de bom moço pra torcida do Brasiiiillll”
@psergiomatos: “Pra quem tá com a Receita no encalço tudo pode ajudar…”
@jumio: “0% pra Receita Federal”
@DonCrspulo: “Completou o Download”
O apresentador e meu ex-vizinho Sidney Garambone: “Jesus é catalão?”
Sou fã de Neymar, e mais ainda de Jesus. Mas sei que cada um deve estar no seu tempo e lugar. 100% desnecessário. (Marcelo Rubens P
Caro Marcelo Rubens Paiva,
Critiquei a intolerância e preconceito do Juca Kfouri. Depois, li sua matéria e a primeira coisa que pensei foi: esta aqui foi educada, inteligente, bem escrita etc. Parabéns pela sua cordialidade e argumentos. Mesmo assim, permita-me discordar de alguns pontos.
Acho que talvez Neymar esteja mal assessorado, mas em pontos como os que tratam dos problemas tributários. Ele, como todo brasileiro, é achacado pelo furor fiscal e espero que resolva logo essa desagradável questão.
Discordo, porém, da sua visão de que ele quis homenagear apenas um grupo religioso. A meu ver, ele quis homenagear Jesus mesmo. De fato, se fosse para fazer “média”, poderíamos fazer uma lista “melhor” de coisas para colocar na testeira.
Acho que ele tem o direito de não ser patrocinado, se vangloriar disso, e mudar de ideia. Por que não teria? E se 80% das pessoas no Qatar são muçulmanos, penso que ele merece nosso aplauso por não se curvar mais aos interesses comerciais do que ao seu Deus. Criticam-no por ser “marqueteiro” e esquecem o quanto ele se “queima” ao assumir a faixa. Basta ver o quanto “bateram” nele por assumir sua fé. Paradoxo, não?
Sobre o mundo muçulmano, vale dizer que Jesus é considerado o terceiro profeta mais importante do Islã, o que não impede de cristãos estarem sendo assassinados e violentados, e estarem perdendo casas e empregos por lá. Não sei se a faixa do Neymar fará algum efeito, mas imagino que tenha seu lugar em um mundo cada vez mais intolerante. A tolerância faz com que todos possam expressar sua fé e isso não deveria ofender as pessoas. Liberdade religiosa.
Claro que existe uma tentativa de colocar a fé em guetos, excluindo do espaço público suas manifestações. Isso não é ser Estado laico, isso é ser Estado confessional ateu. Querem tirar a fé das televisões, dos partidos, de tudo. Podemos ter qualquer lixo na TV, mas o “lixo” religioso, não. Podemos nos candidatar a cargos eletivos dizendo que somos de esquerda, ou latifundiários, ou do Vasco ou até por sermos palhaços, mas dizer que é por sermos cristãos, isso não pode. Mas voltemos ao Neymar.
Outro ponto curioso é que neste país aplaudimos pouco as coisas certas. Quantos lembram que Neymar assumiu um filho de forma discreta e tranquila? Enquanto muitos atletas fogem de suas responsabilidades e um chegou até mesmo a matar a futura mãe, que bom exemplo nos deu o rapaz! Mas não, as coisas certas não contam. Parece que só tem graça falar dos erros e, através deles, desqualificar os acertos. Ou, alguém não considera “acerto” assumir sua fé e que os eventuais erros não impeçam as pessoas de exercer seus direitos tais como, no caso, o de expressão do pensamento e sua liberdade religiosa.
Quantos sonegadores do dia a dia, quantos que usam produtos piratas, quantos que não emitem notas fiscais devem estar se deliciando ao falar que Neymar deve à Receita... E por isso não poderia assumir sua fé apesar dos riscos. Riscos que vão desde as críticas ferozes (não a sua, a sua foi educada) até eventualmente perder patrocínios. Dentro de uma visão puramente comercial e de marketing, certamente seria falta de boa assessoria, mas dentro da visão cristã, é assumir Jesus. Jesus disse que aqueles que o confessarem diante dos homens serão confessados por Jesus diante do Pai. Não me parece ser, aqui, um erro de assessoria, mas uma escolha.
Jesus também disse que não se acende uma lâmpada para ela ser colocada embaixo da mesa, mas antes, deve ela iluminar. Jesus quer que sejamos sal e luz, e que o confessemos. Coisas bem religiosas em um tempo no qual o mundo está com má vontade com os religiosos e suas coisas. Não se pode ofender ninguém, salvo Deus; não se pode ter preconceito contra ninguém, salvo os crentes; não se pode desrespeitar ninguém, mas toleram muito bem o vilipêndio aos símbolos religiosos.
O postulado pós-modernista, materialista e relativista prefere que não se misture religião com mais nada. Nesse viés, faz sentido dizer que “cada um deve estar no seu tempo e lugar”. Mas Jesus diz que devemos misturar o que ele recomenda em todos os aspectos de nossa vida. Nessa ótica, sempre é tempo e lugar de render glórias a Jesus. É o que Jesus diz: Sejam brilhantes e usem isso para glorificar a Deus (Mateus 5:16). Uma forma de agir protegida pelos direitos humanos, anoto.
Todos os cristãos, mesmos sendo pecadores, devem render graças a Jesus. Nós o glorificamos no momento das vitórias e das derrotas. Penso que essa faixa, que já vem sendo usada desde antes dos tempos de patrocinadores poderosos, não é desnecessária e nem um erro de marketing. É uma escolha.
William Douglas
William Douglas é Juiz Federal/RJ, professor universitário, autor. Considerado o maior especialista em concursos pela Revista Veja, Você S/A e Valor Econômico. Em 2012, figurou em 1º lugar nas principais listas de livros mais vendidos do país. Possui mais de 700 mil livros vendidos e falou para mais ...
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